Doce Calmaria

Uma folha em branco é como um céu aberto, onde tudo parece possível. 

Eu sei que é um pouco tarde para me sentir mal pelas coisas que eu deixei passar, e talvez sejam essas coisas aquelas que eu jamais poderei mencionar sem deixar os olhos marejados. 
Hoje sou metade arrependimento e metade calmaria. 
Há dias que eu penso sobre tudo que eu poderia ser se todos os "se" não fossem apenas isso.
Há dias que eu penso que minha vida está fadada ao sentimento de nunca conseguir sentir que tudo valeu a pena.
Há dias que amanhecem cinza, e eu sinto que talvez, só talvez, se houvesse uma outra vida, uma outra chance, eu poderia ser alguém de quem eu me orgulharia?
Mas há dias que tudo isso some. Um silêncio absoluto se instala em minha mente, e eu até me esqueço dessas outras manhãs. Tudo parece absolutamente calmo, estou conformada com a vida tal qual ela é. Acordo, faço meu trabalho, volto para casa, como, durmo, e repito isso quantas vezes for possível.
Até que outra manhã cinza apareça.
Nesses dias eu penso em retomar aquele plano antigo, penso em me inscrever nas aulas de ballet que eu tenho me interessado, penso em pedir transferência para uma cidade nova, talvez fazer novos amigos, talvez recomeçar. 

Grande bobagem. 

Nada nunca acontece. 

Vivo a contradição de ser grata pelo que tenho, mas ainda assim estar infeliz. 

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