O Prêmio


O que somos enquanto tentamos encontrar o que perdemos?

Vivemos o arrependimento enquanto a vida está lá fora.

Choramos as tristezas, mesmo quando a alegria é bem mais evidente.

Não valorizamos o que temos, até que finalmente vá embora.

Perdemos a nós mesmos.

Falta um brilho no olhar, falta empolgação nas palavras, faltam sorrisos mais sinceros, e a leveza do passar das horas.

Será que somos divididos em uma seleção natural entre mais fortes e mais fracos?

Então, sem tempo para descobrir e sem desejo de colocar-se à prova, corremos.

Corremos loucamente todos os dias. Perseguindo sonhos que muitas vezes nem sonhamos, perseguindo algo que nos confira um status de fortes e que nos permita sobreviver a essa seleção, que nos permita continuar nessa feroz competição.

Então, mais um dia surge e corremos para sermos úteis de alguma forma.

Mas o que é essa utilidade?

É receber uma promoção no emprego? É conseguir um reconhecimento? É tirar boas notas na escola? É manter a bolsa na faculdade? É orgulhar os pais? Ou seria viver sem ser engolido por todas essas obrigações?

Se pudéssemos olhar a vida ao contrário, se pudéssemos estar no final olhando para o agora, você estaria bem com isso?

Nossa mente está tão doente, nosso corpo está tão cansado, a ansiedade está tão presente. Ninguém vê.

Somos bons competidores. Mas no final, o único prêmio é um bilhete escrito:

“Valeu a pena?”


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