FRAGMENTUM


Não há nada o que possa ser feito. Sua alma está em uma constante antítese temporal. Atravessando espaços-tempo que você nunca desejou estar. Todos os dias sua imagem no espelho se parece ainda mais irreconhecível, ainda mais diferente de tudo que você poderia imaginar há dez anos. Então, você passa por uma busca pela grande razão pela qual se tornou quem é, mas nunca há provas suficiente para culpar o meio pelo caos interior. O homem não nasce bom, o homem nasce livre de valores, e o meio lhe é acolhedor. Por fim, não resta mais nada senão conviver com a própria culpa. 
Seus fragmentos te remontam por inteiro. Somos um amontoado de pedaços que se acumularam depois de tantas quedas. Não podemos simplesmente ignorar os cacos que nos perfuraram, porque também fazem parte do todo. Alguns fragmentos voam longe demais, e é difícil se refazer por completo. Mas a vida consiste em sempre juntar a maior parte dos pedaços.
Somos um apanhado de retalhos, e nunca saberemos de fato onde tudo começou. Há mais diversidade de tecidos do que eu queria que houvesse, mas se não é essa a beleza da arte de retalhos, então qual seria? 
Quero mergulhar em algo desconhecido, e em uma hora conseguir atravessar todo o Pacífico. Voltar para casa e saber que vivi. Deitar na minha cama sem pensar em tudo que se repete, mas sim em tudo que se alterna. 
O que seríamos sem todos nossos tombos? Sem toda a realidade que nos choca. Somos uma arte abstrata, repleta de fragmentos incertos. 

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